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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Identidade

Quem sou eu?

Até que ponto minhas idéias são minhas? Meus medos são meus? Meus gostos e desgostos são meus?

Quanto daquilo que sou hoje floresceu de dentro para fora por pré-disposição biológica ou herança genética? E quanto foi absorvido pelo mundo exterior?

Seria minha pele a linha que divide o "eu" do "outro"? Ou sera que minha identidade vai mais além, perpassando meus amigos, minha família e aquelas que amei? O que me define como pessoa?

Será que sou uma cópia de meus progenitores, apenas com algumas adaptações trazidas com os tempos modernos?

Ou sou um produto original de um meio único e experiências únicas?

Porque será que muitas vezes me enxergo como sendo tão distinto daqueles que cresceram ao meu lado? Nosso meio não deveria nos ter moldado da mesma maneira? Será que as pequenas divergências de criação fizeram tanta diferença assim? Ou será que há alguma coisa impressa nos nossos genes que nos torna diferentes?

Por que será que por vezes me pego me definindo não por aquilo que sou, mas por aquilo que não sou? Aliás, definir-me não como possuidor de certas qualidades mas como uma pessoa a quem faltam outras já não é um sinal de quem sou eu?

Sei o que me move, sei o que me alimenta, o que me faz levantar todos os dias e querer viver. Sei o que alimenta meus sonhos e me dá forças em horas de dificuldade, já conheço os ganchos onde penduro minhas esperanças e também meus medos. Sei quais os tipos de pensamentos que me fazem sorrir olhando para o nada que me inspiram a escrever textos e fazer desenhos. Muitas vezes me defino a partir do meu combustível, mas será que isso é tudo que sou?

Será que aqueles que me criaram são os melhores habilitados para responder essa pergunta?
Ou será que só um especialista em psicologia poderia, seguindo uma certa metologia, fazer testes e análises que revelariam a resposta? Será essa pergunta respondida por uma pessoa que me ame, ou por mim mesmo?

Aliás, será que essa pergunta tem resposta?

E se tem ou não...

...isso realmente importa?


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Solução



Nunca fui muito fã de vitimização, não só porque ela foi muito onipresente na minha adolescência, mas também porque sempre achei que o papel de vítima tira muito do poder que a pessoa tem sobre si mesma.

Eu costumava ouvir da minha mãe: "Decepção é culpa do decepcionado, foi ele que esperou demais de quem podia dar pouco." E sempre tratei isso como verdade. Não sei como a maioria das pessoas é em relação á isso mas tento sempre ver qual foi a minha parte nas disfunções sociais que por vezes afetam meu relacionamento com as pessoas. Sempre me perguntava a mesma pergunta: "o que foi que eu fiz de errado?" Antes de me ver como vítima dos erros alheios.

Mas flexibilidade, solicitude e compreensão, quando cultivados apenas para auto-aperfeiçoamento são facas de dois gumes, pois podem acabar sobrecarregando a pessoa. Mas então eu percebi que talvez estivesse cultivando as virtudes certas pelas razões erradas, e perecbi isso no dia em que estava conversando com um homem muito sábio, ele, descrevendo situações que vivera há anos atrás, me repetiu um conselho que mudara sua vida: "As pessoas não querem problemas, querem solução."

Uma frase tão simples, porém tão poderosa. Percebi que enxergar as coisas desse jeito não só acrescentava uma certa positividade á minha pessoa como também iria mudar a maneira como eu vejo meus próprios problemas. Hora, se eu fosse aquele que aumenta o nível de energia das pessoas, aquele que é facilmente animado e que fala de coisas boas, divertidas e engraçadas, a tandência seria receber isso de volta das pessoas, isso é muito mais eficiente do que simplesmente sofrer em silêncio tentando sempre carregar o máximo de peso alheio para evitar desentendimentos.

As pessoas não querem problemas, querem solução.

Tente não ser aquele que diz: não tô afim. Tente não ser aquele que diminui o nível de energia do grupo, tente não ser aquela pessoa que afunda outras em relacionamentos, tente não atrasar ninguém, tente não ser um peso para ninguém. As pessoas não gostam de fardos, elas já tem problemas suficientes na vida delas.

Faça de tudo para ser positivo, não negue favores que não vão te prejudicar, não seja preguiçoso nem preconceituoso com nenhuma situação ou pessoa. Seja aquele indivíduo com quem as pessoas gostam de conversar, faça de tudo para ser aquela pessoa de quem eles vão se lembrar. Caso faça isso, tenho certeza de que, na hora em que for sua vez de receber um pouco de atenção, um ombro amigo ou fazer um desabafo, haverá uma lista maior de pessoas prontas para te ouvir.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Não sei


Um dia, vi uma pequena garotinha dizer á sua mãe:

- Mãe, um menino na escola me pediu em namoro, acho que eu vou aceitar porque ele gosta tanto de mim...
- Mas filha, você não tem que aceitar só porque ele gosta de você. Você gosta dele?
- Não sei.
- Você não tem obrigação de ficar com uma pessoa só porque ela gosta de você. Tem de ver é se você gosta dele também.

A mãe até que estava certa, mas como a garotinha poderia saber? Como ela poderia chegar a um veredicto em relação aos seus sentimentos? Essa receita a mãe não deu. Mas tudo bem, porque a menina não tinha nem dez anos. Mas e eu fico me perguntando quantas milhares de conversas muito parecidas com essa não acontecem todos os dias com pessoas muito mais velhas. Quantos casais lindos e experiências maravilhosas não chegam a existir apenas por causa desse "não sei". Quantas coisas interessantes não deixaram de acontecer, quantas declarações nunca viram a luz do dia, quantos programas nunca foram marcados? Quantas amizades nunca foram feitas? Quantas vidas deixaram de ser mudadas?

"Não sei". É claro que você não sabe. Ninguém sabe. Filósofos que tinham o costume de pensar nas coisas de maneira muito mais profunda do que você viveram e morreram sem conseguir saber isso de maneira definitiva. Nos cálculos de custo benefício que fazemos para a vida, temos que arredondar os números para simplificar a conta. Se calcularmos as variáveis menores, as miudezas que vem depois da vírgula, nunca agiremos, pois estas levam uma eternidade para serem avaliadas, e mesmo depois que conseguimos identificar todas, elas são tantas que não conseguimos fazer a conta direito.

A incerteza é o tempero da vida. Eu aplaudo de pé aqueles que olharam a incerteza e avançaram. Aqueles que enxergavam dúvida não só em seus corações mas nos corações alheios e foram fortes por eles e pelos outros num momento de estagnação. Aqueles que deram um passo á frente quando a vida perguntou: quem vai se arriscar? Aqueles que, enquanto os outros estavam ali fazendo cálculos, eles viraram a mesa, derrubaram os papéis e disseram: vamos agora!

Não é fácil fazer isso, nunca foi. Mas a vida está passando e as oportunidades junto com ela, muito cuidado com o que você deixa passar. Empolgação é como todo o sentimento, ele morre por inanição muito rápido se não alimentado constantemente, e nada melhor do que ação para dar um tempero a mais ás coisas.

A vida é feita de escolhas, algumas fáceis, outras difíceis...

Se você acha que não sabe jogue uma moeda para decidir, assim que ela estiver no ar tenho certeza que você vai descobrir o que quer.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Indiferença



Quem viveu emoções o suficiente na vida sabe que ódio e amor são dois lados da mesma moeda. O prazer de ter vem junto com o medo de perder e isso faz com que o coquetél de sentimentos com o qual brindamos a vida seja tão doce quanto amargo.

Quantas vezes você fez questão de responder uma provocação sarcástica de alguém? Quantas vezes você contra argumentou áquele comentário crítico na sua rede social? Quantas vezes você não cobrou daquela pessoa que não te deu o que você esperava? Quantas vezes você já não fez questão de mostrar sua insatisfação, sua raiva ou seu desapontamento para alguém?

Esses momentos são tão verdadeiros (mas não tão construtivos) quanto aqueles em que você demonstrou carinho, afeto, consideração e paixão. Ambos tem o mesmo pai, seu ego. Sua necessidade manter e reafirmar sua auto-imagem, sua necessidade de se sentir especial a partir do exercício de ser diferente dos outros.

O ódio pode até machucar, a reclamação pode até não ser bem-vinda num primeiro momento, mas espere até você sentir o implacável frio...

...da indiferença.

Quando você é o indiferente, você consegue olhar a situação de cima para baixo, o mar de sentimentos que afeta a outra pessoa nem chega a lhe tocar. Os gritos passionais do outro ecoam no vazio que é a sua apatia, pois não se pode atacar o vento, não se pode bater no nada. Não há respaldo para sentimentos alheios naquele que é indiferente. E isso é o mais implacável ataque que se pode fazer ao ego. Quando você passa, através da sua inação, a mensagem de que a pessoa não merece sequer sua indignação, aí a coisa ficou feia. Quando suas ações tranparecem que você não liga a mínima a tal ponto que não precisa se dar o trabalho de reagir ás palavras ou ações dela, aí sim você deu o golpe mais duro que poderia dar. As pessoas que brigam, que provocam, que cobram, que reclamam e que criticam tem todas uma coisa em comum, são pessoas que se importam. Se importam o suficiente para falar, se expressar e tentar serem ouvidas. Se importam o suficiente para querer ver o impacto de suas palavras ser refletido de volta para elas.

No fundo todos queremos isso, quando estamos felizes, queremos compartilhar nossa felicidade, quando estamos tristes, dividir a tristeza, quando nos sentimos zangados, expressar nossa raiva. E o primeiro alvo no qual miramos para despejar o sentimento que sentimos, geralmente é aquele que os provocou. Logo, quando alguém nos faz sentir bem, queremos que esta pessoa saiba que fez isso, queremos ter a oportunidade de agradecê-la e, se possível, retribuir o favor. Assim como nos maus momentos, a sensação de termos sido injustiçados, maltratados, desvalorizados ou desrespeitados também grita para ser mostrada áquele que a provocou, queremos reclamar, nos justificar, perguntar o porquê...

Mas nada disso é possivel perante indiferença. A pessoa é obrigada a engolir sozinha o sentimento que teria ficado mais leve se tivesse sido ouvida. Tem de lidar com a incômoda sensação de saber que não causa no outro o sentimento que este lhe causou, ou seja: inferioridade. O indiferente tem poder sobre a pessoa mas não o contrário.

Indiferença é uma arma perigosa que, ironicamente, não pode ser usada para ataque. Pois afinal, quem quer atacar não é indiferente. Simular apatia e frieza apenas para afetar os outros não da certo por muito tempo, é uma bomba relógio pronta para explodir no seu colo. Indiferença é um estado de não-sentir que encontra todas as suas consequências apenas naqueles que tentam alterá-lo.

E lembre-se, indiferença não é soberba ou orgulho. Se a pessoa que você não gosta está no meio de outras quatro e você cumprimenta só elas, não está sendo indiferente, o indiferente cumprimentaria a pessoa que o ofendeu como se nada nunca tivesse acontecido. Se você manda uma mensagem para dizer que não liga, é porque você liga, o indiferente não mandaria nada. Se você argumenta para convencer, é porque a opinião alheia lhe importa, o indiferente não se importa com quem concorda ou deixa de concordar com ele.

Ironicamente, as pessoas que merecem nossa indiferença raramente a tem. E as pessoas que tem nossa indiferença raramente a merecem. Algumas vezes é bom parar para pensar não em quem estamos ofendendo...

...mas á quem estamos ignorando.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Auto-crítica


Não crescemos nos momentos fáceis, não crescemos com elogios, não nos tornamos pessoas melhores nas épocas de calmaria. Aquilo que nos faz nos sentir bem e aquilo que nos faz crescer são duas coisas distintas, muito distintas. É sob pressão e calor que os elementos se transformam, é na hora da pancada que vemos a resistência do material. Sendo assim, é normal de muitas pessoas manterem uma visão exigente de si mesmas em prol do desenvolvimento.

Afinal, se você se acha a última coca-cola do deserto, tende a acreditar que quase sempre tem razão e que os outros é que são privilegiados de estar ao seu lado, é muito provável que você seja um tanto quanto imaturo. Para crescer é preciso uma certa dose de humildade e também ser um pouco duro consigo mesmo as vezes, para evitar mentir para si mesmo, jogar a culpa dos seus erros nos outros, etc...

Mas e quando a auto-crítica começa a ultrapassar os limites e já não é mais benéfica? O que acontece na mente da pessoa que cobra tanto de si mesma, que o esforço que ela despeende para atender as próprias expetativas lhe esgota? A auto-crítica é boa até certo ponto, mas o seu perigo é que ela corrói auto estima muito rápido. Se você nunca é bom o suficiente, se você nunca é belo o suficiente, se você nunca é interessante o suficiente, se você nunca é talentoso ou inteligente o suficiente, vai chegar uma hora em que a frustração de não ser aquilo que você acha que tem que ser vai ser maior do que a satisfação de estar sempre em evolução.

E não se engane, quando eu digo "atender ás suas próprias expectativas" estou falando sério, o mundo não quer que você seja nada, na verdade, a maioria das pessoas não liga muito para o que você é ou deixa de ser, a grande maioria das pessoas que você conhece não liga a mínima para a cor doseu cabelo, seu peso ou que curso você escolheu seguir, e isso é ótimo, pois você não deve satisfação á elas. É na sua mente que está a lista de exigências.

Todos nós precisamos de pausas nos exercícios, de intervalos nos estudos e de momentos de amor-próprio em meio a selva emocional em que vivemos. Tire um tempo para olhar tudo aquilo que você já fez, tudo aquilo que você conquistou, o quanto você mudou em um, três ou cinco anos, no tanto que você aprendeu com seus últimos relacionamentos, do tanto que você melhorou sua maneira de pensar depois de entrar na faculdade...

Olhe para si mesmo de vez em quando e orgulhe-se, e acima de tudo, não negue elogios sinceros, não desvalorize consideração. As pessoas que vêem em você aquilo que nem você vê em si mesmo costumam estar naquele pequeno grupo de indivíduos que realmente se importam com você. As palavras daquele amigo não tão sóbrio, os elogios daquela pessoa que tem tanta sintonia com você, a disposição daquela pessoa que nem tinha planejado te ver, essas são as coisas mais verdadeiras e sinceras que você pode esperar dos outros.

E quando a hora de ser forte vier, e ela virá, você vai batalhar muito melhor. Você vai enfrentar os tempos difíceis com muito mais facilidade, justamente por causa dessas pessoas, que conseguiram ver e fizeram questão de te mostrar tudo aquilo...

...que há de melhor em você.