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domingo, 31 de julho de 2011

Imagine


Imagine que você, através de muita reflexão e estudos, consegue vislumbrar como seria o mundo ideal. Você consegue imaginar todos os mecanismos sociais e estruturas que dariam suporte á um mundo sem guerras, fome ou desigualdade social. Mesmo que, teoricamente, você estivesse certo, haveria um abismo imenso entre sua teoria e a realidade. Mas isso quer dizer que você deve cruzar os braços e dizer: "certo, nunca seremos uma sociedade perfeita, então melhor nem tentar."?

Ou você se concentra nas pequenas ações como economia de água e luz, reciclagem, ajudar em projetos sociais e respeitar os outros?

Por mais que você saiba que a sociedade muito provavelmente não atingirá sua perfeição durante seu tempo de vida, você faz a sua parte. Certo?

Agora vamos imaginar que você, através de muita reflexão e observação, consegue vislumbrar como seria o pai, ou a mãe, ou o amigo ou o companheiro perfeito. Você consegue imaginar cada traço de personalidade e temperamento que combinariam para formar uma pessoa perfeitamente fácil e tranquila de se conviver. Mesmo que as características que você imaginou fossem realmente positivas como um todo, você ainda teria um espaço muito grande entre o que as pessoas são e o que você espera delas.

Mas então você vai simplesmente dar as costas á estas pessoas, pois afinal você não pode mudá-las para que elas atendam as suas expectativas?

Não exatamente, você pode estimular as pessoas positivamente á agirem de uma maneira positiva, e o mais importante, pode aceitar essas pessaos da maneira como elas são.

Agora imagine que, depois de muita reflexão e estudo, você consegue vislumbrar a si mesmo sem seus defeitos. Você consegue perceber, mesmo que parcialmente, quais são os principais traços da sua personalidade e a quais são as ações que estão te impedindo de crescer e progredir, e chega á conclusão de que você poderia ser uma pessoa inimaginávelmente melhor sem elas.

Assim como nas outras duas situações, há uma diferença grande entre realidade e o objetivo desejado.

Mas diferente dos outros dois, neste caso há muito, muito, mas muuuito o que você pode fazer. Seu nível de interferência na evolução alheia é limitado, mas quando se trata de auto-aprimoramento, não há limites. Na verdade, a única pessoa que você pode realmente mudar é a si mesmo. A única evolução que você pode garantir é a sua própria. Auto disciplina, aceitação, tolerância e altruísmo são valores e ações que você pode sempre cultivar, mesmo sabendo que nunca assimilará estes valores em 100% das suas ações ou que você nunca conseguirá fazer com que estes valores estejam sempre antes do seu ego. Saber que não se pode atingir perfeição não quer dizer que não devemos buscá-la, pois só a busca da perfeição é eterna e continua, assim como deve ser nosso auto aprimoramento.

Superestimamos muito o poder que temos sobre os outros e subestimamos muito o poder que temos sobre nós mesmos...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Crenças


Vamos supor que você, por algum motivo, acredite que o Brasil foi descoberto por Alemães. Caso você tentasse, publicamente, defender sua crença, você teria de rebater uma quantidade de argumentos muito maior do que a que você dispõe para sustentar sua teoria. Quanto mais bem informada uma pessoa fosse sobre história, mais fortes e implacáveis seriam as maneiras com as quais sua crença seria refutada.

Sua teoria sobre o descobrimento não encontraria respaldo nos dados históricos que temos a nossa disposição, tampouco faria sentido, dada a geografia mundial e as condições sócio-econômicas da época. Emfim, historiadores poderiam escrever livros inteiros te provando por A+B, que você está errado.

Mas você gosta da idéia do Brasil ter sido descoberto por alemães. Na verdade, você está tão acostumado com a idéia que acredita nela por inércia (apenas se mantém acreditando). Foi isso que você ouviu durante muito tempo e você já se acostumeou a distorcer á lógica formal ao seu favor para tentar dar á sua crença mais credibilidade. Afinal, enganar a si mesmo é um processo longo, você precisa ir quebrando a lógica aos poucos para se sentir confortável acreditando em algo que não faz sentido.

OK, agora mude a sua perspectiva, volte para o seu lugar (o de quem não acredita que o Brasil foi descoberto por alemães). Como você convenceria está pessoa de que ela está errada? Como você lhe mostraria que sua crença é, no mínimo, equivocada. (pra não dizer ridícula)?

"Ah, cara, eu não tentaria convencer não, deixa a pessoa acreditar no que ela quiser, não é problema meu."

"Isso não tá atrapalhando ninguém, deixa ele com as maluquices dele..."

Eu também diria isso meu caro. Diria isso se essa crença fosse algo que esse sujeito mantém para si mesmo. Se fosse algo que se limitasse á uma questão pessoal. Mas esse sujeito não está sozinho, com um número suficiente de pessoas, a creça se espalha. Eles ensinam isso a seus filho, criam instituições para refoçar e perpetuar a idéia e logo o número de pessoas acreditando cresce, e com o número vem a força da idéia. Ela transcende a condição de crença pessoal e se torna uma maneira de pensar, de discriminar, de julgar e de ver o mundo.

Você ainda sim permaneceria parado? Você ainda sim se calaria, sabendo que estas pessoas estão simplesmente ignorando conhecimento histórico, descartando lógica e virando as costas para séculos de conhecimento árduamente acumulado e analisado? Se alguém falasse para você: "Respeite, é o que ele acredita" Você se calaria e baixaria a cabeça?

Muito sangue foi derramado e muito debate foi feito para que hoje pudéssemos ter liberdade de expressão, e não é a crença pessoal de ninguém que vai me dizer o contrário. Você tem o direito de me achar chato, de discordar de mim, ou até de virar as costas e nem falar sobre o assunto. E eu tenho o direito de dizer:

Sua crença não encontra respaldo no conhecimento científico, muito menos tem qualquer serventia social que não possa ser perfeitamente atingida por meio seculares.

Em outras palavras:

Sua crença é sem sentido e inútil.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Dilemas da paixão X


Independente de sua religião ou filosofia de vida, é muito provável que você, assim como a grande maioria dos seres humanos, tenho dentro de si uma necessidade de ver no mundo algum tipo de mecanismo ou princípio que faça com que a justiça nunca falhe. Caso ela falhe no plano observável, como desonestos ricos e honestos pobres, você simplesmente cria um mundo aparte onde as regras de justiça em que você acredita são inescapáveis e problema resolvido.

Isso é natural de todos os seres humanos, todos nos sentimos revoltados diante daquilo que não julgamos justo ou certo. Aceitar o injusto simplesmente não faz parte da nossa programação como pessoas. E isso cria em nós um impulso inconsciente de fazer justiça com as prórias mãos, quando necessário, cria em nós uma vontade de, caso esteja ao nosso alcance, fazer com que a justiça seja feita. E isso, pelo menos até certo ponto é bom.

Mas e quanto a nossa noção do que é justo e do que é injusto?

Quando você está num relacionamento, existem sempre adversidades num convívio á dois que exigirão de você virtudes como paciência, coragem e compreensão. Na verdade, o comum é um relacionamento exigir de você sempre um pouco mais do que você pode dar, e é isso que te mantém progredindo. Essas adversidades se dividem em tres grupos básicos: as causadas por você, as causadas pelo seu companheiro/a e as que vocês dois contribuíram para que acontecesse. (confie em mim, o terceiro grupo é SEMPRE o maior)

Então, sua noção de justiça vai afetar profundamente a maneira com a qual você encara as adversidades no seu relacionamento, pois você quase sempre tem poder suficiente para fazer reivindicações. Mas e quando nossa necessidade de justiça se junta com o nosso ego e nós decidimos nos tornar "juízes"?

Quando identificamos a fonte do problema fora de nós (o que é nossa especialidade), queremos uma compensação imediata, devolver a mesma sensação de desconforto, frustração ou raiva que nos foi causada para "equilibrar a balança", pois isso é o que seria justo, segundo nossa visão passional. O único porém é que quando o problema está em nós (o que não é nossa especialidade), temos a tendência de mudar nossa noção de justiça a nosso favor, e quando a mesma vingança emocional cometida pelo outro chega a nós, nos sentimos igualmente injustiçados e nos lembramos de todas as coisas boas que fizemos, de todos os erros alheios que toleramos e de qualquer situação que amorteça o sentimento de culpa.

Traduzindo:

Quando o outro erra, você tem o direito de puní-lo pelos erros. Pois a pessoa não atendeu suas expectativas pessoais.

Quando você erra, você tem o direito de errar, pois você é um ser humano com falhas como todo mundo.

Tendencioso não? A vingança é um combustível altamente inflamável e poderoso, ele pode te levar muito longe, mas é explosivo, perigoso e poluente. Quase todas as atitudes tomadas a partir do sentimento de vingança são tóxicas para um relacionamento. Porém se não reivindicarmos nada, iremos simplesmente absorver adversidades e carregar sozinhos os nossos erros junto com os erros alheios, num processo acumulativo que SEMPRE tem limites. Então, como conciliar nossas necessidades com as necessidades alheias? Como não ser movido por vingança e ao mesmo tempo lidar com faltas?

Nossa capacidade de julgar é sempre inclinada para atender aos nossos interesses pessoais em detrimento dos outros, mas nossas necessidades emocionais nos fazem precisar dessas mesmas pessoas para nos sentirmos completos, o que gera um sistema corrupto de resolver problemas.

A verdade é que somos ótimos advogados, mas péssimos juízes.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Equívocos


Ouvi recencemente, de uma pessoa consideravelmente idosa, que o Lula foi a melhor coisa que já havia acontecido ao Brasil. Que antes dele haviam mais pessoas pobres, que o brasileiro não precisou mais se preocupar com inflação desenfreada e que o Brasil, durante seu mandato, progrediu mais do que nunca.

Não é necessário ser um cientista político para perceber o exagero. Uma pessoa nascida na década de 50 ou 60 que, por sua vez, era um adulto e trabalhador no início da década de noventa, certamente guarda um grande trauma dos efeitos da inflação. Mas devemos lembrar que não foi Lula quem parou a inflação nessa época, a grande iniciativa que fez a diferença foi o plano real, que, até onde sei, não teve nenhuma contribuição de nosso ilustre ex-presidente.

Quanto a afirmação de que existiam menos pessoas pobres antes do governo lula, é verdade. A pobreza no Brasil diminuiu, e muito. Mas a infra-estrutura do país melhorou em igual proporção? Os números de profissionais,escolas, hospitais e indicadores de qualidade de vida também dispararam?

Não.

O que isso significa? Se existem menos pessoas pobres, porque então não existem mais profissionais capacitados, gerando, assim, mais empregos produção e progresso para o país?

Porque a tática de populismo usada por Lula e muitos outros presidentes consiste em dar esmola para pobre. Ele reuniu diversas bolsas (que já existiam no governo FHC), mudou elas de nome e ampliou sua eficácia. O número de pessoas que recebem ajuda do governo hoje e enorme e se você pode ficar em casa de pernas pro ar mamando nas tetas do governo, porque você trabalharia? É melhor ficar quietinho e usufruir das vantagens do que tentar arranjar um emprego, o que faria você perder muitos dos auxílio que lhe sustemtam.

E mesmo que você quisesse trabalhar, o governo não construiu uma escola para capacitar você, não colocou mais ônibus nas ruas para você ir ao local de trabalho, não construiu creches para você deixar seu filho enquanto está fora, como você se dedicaria a um emprego sem ter condições básicas para tal?

Dar dinheiro para as pessoas é a melhor forma de ser popular a curto prazo. De que adiantaria investir em escolas quando os efeitos de uma educação de qualidade demora uma década para ser sentido?

O Brasil é um país "em desenvolvimento" ou "emergente" por causa de diversos fatores geográficos, históricos e sociais somados. Não podemos atribuir o crescimento de um país grande e diversificado como o Brasil á uma figura política isolada. Na verdade, a relevância da política para nossas vidas é totalmente diferente do que nós pensamos, assim como nossa capacidade de influênciar politicamente a sociedade que vivemos.

É preciso ver o todo, antes de analisar as partes.

domingo, 22 de maio de 2011

Marketing da alma




Segundo pesquisas que encontrei na internet, evangélicos correspondem á quase 25% da população brasileira. Isso é um número muito grande para uma religião tão nova, porque será que esse derivado do catolicismo ficou tão popular aqui? Por que a igreja protestante nada em rios de dinheiro em tantos países ocidentais?

Bom, tudo começou com a reforma protestante de Lutero por no século 16, que lutava contra a ortodoxia da igreja católica medieval. E ele fez muito bem ao popularizar o cristianismo, pregar uma livre interpretação da bíblia e traduzí-la para facilitar seu acesso. Ele não fez tudo sozinho, claro. A reforma protestante durou muito tempo e teve muito importantes participantes. E quando o protestantismo chegou aqui no Brasil lá pelo século 18, as primeiras igrejas protestantes começaram a ser fundadas.

Existem muitas ramificações de igrejas protestantes hoje, mas a grande maioria delas se denomina ou é inevitavelmente denominada de igreja evangélica. A igreja evangélica de hoje é o resultado de anos de conhecimento acumulado sobre psicologia, economia e administração. Como a idéia central do protestantismo é interpretar a bíblia livremente e tirar as pessoas das prisões que são os dogmas católicos as igrejas evangélicas de hoje são o resultado de um complexo processo evolutivo em que todo o tipo de estratégia para conseguir novos membros e mantê-los na igreja é minunciosamente analisada, trabalhada e incorporada ás pregações, ritos e todo o funcionamento da igreja.

Algumas igerjas são mais invasivas no seu processo de aquisição de novos membros, instruem seus fiéis á recrutar o maior número de pessoas para uma nova fé. Veja a seguir um exemplo de tática de vendas usado por várias empresas:

1. Seja educado e cordial com o cliente na hora de vender o produto. Não discuta nem contra-argumente. Ele tem que ver em você uma figura amigável e que está alí para fazer a vida dele melhor através de seu produto.

"Oi, legal seu colar/camisa/cachorro/penteado....etc, meu nome é fulano, qual o seu? (com um enorme sorriso no rosto)."

2. Mostre as vantagens do produto (nunca fale nas desvantagens), mas nunca critique diretamente a concorrência, pois passa a impressão de que você precisa ressaltar as falhas dos outros para parecer melhor. Se o cliente citar a concorrência ou uma vantagem oferecida por ela, seja tolerante e compreensivo, e volte a falar das vantagens oferecidas pelo SEU produto (desvie a atenção dele de qualquer coisa que não seja o SEU produto.)

"Vai ter gincana, show de banda e atividades do grupo jovem. Aparece lá..."

3. Deixe o cliente falar e expressar sua opinião, as pessoas gostam de ser ouvidas. Ouça e sempre que possível concorde, mostrando que a opinião dele é importante e está de acordo com a sua, criando empatia.(o que aumenta suas chances de venda).

"-Mas eu não gosto de ficar parado rezando e tals...
-Com certeza, eu também não, se não quiser rezar não precisa..."

4. Quanto mais envolvido o cliente estiver antes da hora da venda definitiva, melhor. Crie toda uma atmosfera de vantagens e atice a curiosidade dele através da boa propaganda. Existem muitos estágios entre o encontro com o cliente até a venda, trabalhe cada um deles.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. A igreja evangélica é uma igreja moderna, que pegou os conceitos do cristianismo e aplicou á um mundo moderno, que extendeu seus braços aos mais variados tipos de clientela. Claro que muitas vezes isso é feito com a honesta sensação de altruísmo, sem a pretensão de se ganhar dinheiro. Muitas pessoas realmente ACREDITAM que estão fazendo um bem á humanidade através dessa abordagem de conversão.

O ser humano sempre precisou de conforto, é preciso ter muito sangue frio para não se apoiar em consolos espirituais, a grande maioria das pessoas simplesmente tem medo de pensar que não há nada depois da morte, e elas não estão erradas, é natural ter esse medo, nossos cérebros foram programados para ter esse medo.

Mas nossos cérebros também foram programados para a poligamia e caça de animais, mas não é por isso que vamos deixar que qualquer tipo de indústria ou instituição tire vantagem de nossas pré-disposições biológicas certo?