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Sobre o amor


Amor é um conceito complexo e com fundamentos filosóficos, psicológicos e, em alguns casos, até espirituais. Mas o que é o amor verdadeiro? Qual a diferença entre amor e paixão? Eu tenho minhas teorias acerca deste sentimento (se é que pode-se chamar assim).

Até certo ponto, qualquer pessoa razoavelmente bem-informada sabe que muitas das sensações que passam pelos nossos corpos já foi cientificamentee explicada pela biologia e pela psicologia. Estudos sobre nossos hormônios e nosso cérebro já esclareceram muitos dos impulsos que sentimos quando estamos, por assim dizer, "amando". Mas a maioria das pessoas acredita que há algo além dos hormônios, que existe um sentimento mais puro e diferente das coisas que a ciência explicou até hoje.

Então, para separar uma coisa da outra, vou analisar aqui os dois tipos principais de amor que considero importantes:

O primeiro seria o amor universal. Esse amor, puro e livre de qualquer imperfeição, está longe de ser destrutivo. O princípio do amor universal é que ele é inteiramente e puramente altruísta. Livre de qualquer tipo de ciúme ou apego, pois o princípio do altruísmo é de que você quer o bem alheio, independentemente dos seus próprios sentimentos ou interesses. Só se fará o bem para a pessoa amada, não importa onde ela esteja, não importa "com quem" ela esteja e não importa o que ela faça para você ou para ela mesma. O amor universal é o amor incondicional perfeito. Acredito que o tipo de amor que mais se aproxima desse seja o amor que os pais tem pelos seus filhos.

Como no amor universal não há sentimento de posse, não há ciúmes nem insegurança. Afinal, não se pode temer pela perda de algo que você não considera como "seu". Os termos "minha" namorada, "minha" esposa" refletem bem oconceito de posse ao qual me refiro.

Outra característica do amor universal é que ele ignora e desconsidera completamente as emocões e os interesses do "amante" (a pessoa que ama). Pois o foco é apenas a pessoa amada. No amor universal, o amante é apenas um humilde doador. Sem nenhum tipo de interesse próprio. Que aceitará aquilo que lhe for oferecido de bom grado, mas nunca irá pedir, pois sabe que o outro não tem obrigação de dar.

Nesse amor, não há brigas ou discussões. Tampouco decepções. Pois o amante não espera nada da pessoa amada. Ele não nutri nenhum tipo de expectativa para com ela. Seu amor independe de qualquer interesse, ganho pessoal ou satisfação emocional. Apenas que ver a pessoa amada feliz e ponto final.

Esse é o "amor verdadeiro".

Esse tipo de amor parece impossível hoje em dia, mas acredito que ele é um padrão importante para a nossa jornada rumo a perfeição. Esse é o amor dos grandes líderes espirituais que marcaram época na história da humanidade. Esse é o amor pregado por várias religiões e filosofias. Esse seria o amor divino.

O outro amor é o passional, ou amor romântico (paixão). Este amor é uma mistura de impulsos sexuais, necessidades emocionais e programações psicológicas que resulta num amor egoísta. Uma atração baseada na idéia de apego e de posse.

Longe de todo o altruísmo e perfeição do amor universal, o amor pasisonal é egoísta. Nele há a idéia de posse do outro. A pessoa amada lhe pertence e deve ficar próxima de você sempre que possível. Não pode ter relações sexuais ou envolvimento sentimental com outras pessoas e lhe deve satisfação em caso de qualquer tipo de mal-entendido. E onde ha posse ha apego, e onde ha apego, há insegurança, e onde há insegurança há crimes passionais, traições, discussões e separações.

Além disso nesse tipo de amor, impera o ego. Ele chega a ser um amor utilitário, de troca de interesses, onde suas necessidades emocionais e/ou sexuais DEVEM ser satisfeitas pelo outro, essa satisfação é uma obrigação, geralmente feita com o intuito de receber algo de volta. Raras são as vezes em que algo é feito sem interesse no amor passional. E num tipo de amor em que o amante tem seus próprios interesses como prioridade, decepções são muito frequentes. Afinal, o amante espera algo da pessoa amada. Ele espera ser correspondido e ter suas necessidades satisfeitas de uma maneira específica que, se não corresponder á realidade, acarretará em decepção que leva ao rompimento da relação, ou ao inferno emocional que são as discussões sem fim acerca dos mesmos temas e traições constantes.

Outra característica importante é que o amor passional é movido não por aquilo que o amante faz pela pessoa amada, mas por aquilo a pessoa amada faz pelo amante. O maior combustível desse amor é a satisfação externa, aquilo que se recebe, aquilo que vem do outro e lhe causa prazer. Apenas com este combustível o amor passional floresce. No amor passional não se ama realmente a outra pessoa, amam-se as sensações que aquela pessoa proporciona em você. Prova disso é que, no momento em que a pessoa parar de lhe satisfazer emocionalmente e/ou sexualmente. O interesse será perdido e a chama do amor se apagará.

O amor passional é, obrigatóriamente, uma via de mão dupla. Onde a única coisa que se dá, é o mínimo necessário para continuar recebendo. Nada mais que isso.

Esse é o amor romântico, a famosa paixão.

É claro que entre estes dois extremos descritos acima oscilam milhares de casos diferentes. Cada um com suas próprias características. Acredito que numa escala de 0 a 10. Onde 0 é o "amor passional" totalmente egoísta e 10 sendo o "amor universal" puro e altruísta, a maioria das pessoas oscile entre 4 e 7. Sendo relativamente poucas as que ultrapasam isso. Não acho que exista no mundo mais que algumas dezenas de pessoas no 10, mas acredito que existam milhares pessoas no 0.

Ao meu ver, nossa vida é uma jornada rumo ao amor universal, uma progressão nessa escala de 0 a 10. Vamos aperfeiçoando nossa capacidade de amar aos poucos, através dos nossos relacionamentos. É claro que a grande maioria das pessoas nunca chega á esse nível na vida. Mas o importante é nunca parar de querer evoluir.

Essa é a minha visão do que é amor.