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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Análise crítica do lívre arbítrio

Estive lendo alguns artigos, entre eles um de Robert Blatchford e outro de Howard Kahane sobre lívre arbítrio. Refleti um pouco em cima desses artigos e comparei-os com outros conhecimentos anterriores para escrever este post.

O lívre arbítrio tem por princípio o fato de que somos todos livres para decidir, livres para escolher aquilo que queremos dentro das limitações das leis da física (ninguém acredita que podemos voar só pelo fato de querermos). Nós sabemos que alguns tipos de doenças mentais também tiram o lívre arbítrio das pessoas, mas esse não é exatamente o foco do texto.

O que quero analisar aqui é até onde somos realmente livres para tomar nossas decisões. O homem é livre para fazer o que quer, mas o que o faz querer? Arthur Schoppenhauer foi um dos primeiros filósofos a dizer que "primeiro desejamos" e depois "conhecemos nossos desejos". Portanto, temos desejos naturais de seres humanos a serem satisfeitos, fazem parte de nossa biologia básica, é a nossa genética.

Há também outro fator incluído na formação de nossas escolhas, que é o meio. Para Skinner, o meio formava 100% de um indivíduo. Todos nasciamos iguais, sem nenhuma pré-disposição e o meio nos moldava através de experiências. Esse conceito foi aperfeiçoado mais tarde por outros psicólogos.

Se unirmos uma coisa com a outra temos duas variantes: genética e meio.

Nenhum comportamento, nenhuma escolha, nenhuma decisão nossa escapa á essas duas variantes, que estão obviamente além do nosso controle. O livre arbítrio desconsidera essas variantes e diz que tudo depende apenas de nossa vontade, porém se esquece do fato de que nossa vontade é produto da genética e do meio. Se encarássemos a vontade como algo exterior e superior a essas variantes, colocaríamos na cadeia todos os assassinos que sofrem de disturbios mentais, crianças traficantes de favela e tantos outros que não "escolheram" fazer o que fazem exatamente por vontade própria. Se todos somos livres para escolher, os que escolhem errado detem total responsabilidade pelos seus atos certo? E se todos somos livres para escolher, não importa onde uma criança venha a nascer ou que tipo de educação que ela teve, ela pode escolher não traficar certo?

Não é preciso ir muito longe para ver que lívre arbítrio não está além da genética e do meio. E se ele não está além, seu próprio conceito cai por terra. Não somos livres para escolher, somos moldados a partir de genética e meio para escolher do jeito que escolhemos. O "dom" do livre arbítrio está limitado ao lugar onde nascemos e nossa pré-disposição genética, Deus não parece ter levado em conta as variantes de Skinner e Arthur Schoppenhauer para nos presentear com esse suposto dom.

Então, eis que os defensores do lívre arbítrio leventam outra questão: e gêmeos idênticos, criados pela mesma família, que tomam caminhos diferentes na vida?

Esse argumento parece forte a princípio, pois assume-se que os gêmeos tenham uma genética parecida e o mesmo meio, logo seriam pessoas com mentalidades iguais. Então a tal "vontade" entraria em ação, fazendo-os escolher caminhos diferentes.
Para começar, não conheço nenhum caso pratico assim. Mas mesmo que conhecesse, a genética de gêmeos tem diferenças grandes o suficientes para um herdar doenças como diabetes e o outro não. E quando falamos de "meio" não estamos falando de um bairro ou de uma cidade em particular, até porque se assim fosse, todas as pessoas de uma cidade seriam iguais.

Quando falamos de meio, nos referimos a todas as influências externas causadas por terceiros, todas. Amizades, escola, experiências, relacionamentos, eventos que as pessoas testemunham, etc...

É claro que mesmo que gêmeos frequentem a mesma escola e tenham os mesmos amigos, isso não quer dizer que as mesmas experiências acontecerão com os dois da mesma maneira e ao mesmo tempo. Eles com certeza não serão tratados da mesma maneira pelas pessoas e desenvolverão habilidades diferentes. Portanto influências do meio e genética são muito mais sutis do que se sugere a princípio.

Com isso temos uma contra-argumentação relativamente boa para o lívre arbítrio. Se considerarmos ele como sendo superior ao meio e á genética, todos seremos responsáveis pelos nossos atos, não importa em que meio nascemos ou as limitações que temos. Se dissermos que ele é menor que essas cosias o próprio conceito desmorona.

Fica aí a reflexão.

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